22 de jan de 2014

REVERENDO ERNÍ SEIBERT DA SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL COMEMORA 40 ANOS DE MINISTÉRIO E CONCEDE ENTREVISTA AOS EDITORES CRISTÃOS (ASEC)



Ele é Doutor em Ciências da Religião, mestre em Teologia, autor de quatro livros e trabalhos publicados em várias revistas especializadas em Teologia e Ciências da Religião, tanto no Brasil como no exterior. Estamos falando de Erní Seibert, que hoje é Secretário de Comunicação e Ação Social da Sociedade Bíblica do Brasil e Diretor do Museu da Bíblia de São Paulo e do Centro Cultural da Bíblia no Rio de Janeiro. Essa semana em que completa 40 anos de ministério, foi procurado pela assessoria dos Editores Cristãos para uma entrevista muito especial sobre sua vida. Confira na íntegra essa conversa:


ASEC: São 40 anos de ministério, correto? Como e quando começou tudo isso?
       
Rev. Erní: Quando me formei em teologia, no final de 1973, coloquei-me à disposição da minha Igreja para atuar no ministério pastoral. Eles me convidaram para trabalhar numa missão nova da Igreja, na cidade de Piratini (RS). Eu aceitei, fui ordenado e instalado neste trabalho. Aí tudo começou.


ASEC: Como era a igreja de 40 anos atrás e como surgiu seu profundo interesse pela Bíblia?

 Rev. Erní:  O mundo e a igreja eram outros. Por exemplo, nesta cidade em que fui trabalhar, não havia sinal de televisão, era difícil ouvir rádio (o melhor era em ondas curtas). No tempo que estive lá, nunca tive telefone. Computador pessoal não havia. Ligação por estrada asfaltada com outra cidade também não havia. Energia elétrica havia apenas no templo em construção na pequena cidade. No interior do município não havia energia elétrica. Isso já mostra a diferença para hoje. Só existia uma igreja católica e um pequeno grupo de luteranos que chegaram lá por migração de outras cidades. Eu era muito jovem. A dimensão de uma Igreja brasileira não estava presente naquele contexto.


ASEC: Em que ano começou a trabalhar na Sociedade Bíblica do Brasil? Quais eram os maiores desafios?

Rev. Erní: Eu comecei a trabalhar na Sociedade Bíblica do Brasil em 1991. Fui convidado para ser editor assistente. A direção da SBB estava pensando em ampliar sua linha editorial de material bíblico. Quase não havia publicação de texto bíblico para crianças e jovens. Os livretes (porções bíblicas) praticamente se limitavam a edições dos Evangelhos. Bíblias de estudo não havia. Os computadores estavam começando a se tornar mais populares. Estas áreas precisavam ser desenvolvidas para difundir o texto bíblico.


ASEC: Certamente, em todos esses anos, diversas edições e traduções passaram pelas suas mãos e pelos seus olhos. Quais o senhor considera verdadeiras obras primas?

Rev. Erní: É difícil falar em obras primas em geral. Obras primas são aquelas que atendem a uma necessidade. Lembro quando publiquei um livrete com o título "Por Causa do Amor de Deus". Era uma novidade. Em três meses foram distribuídas 750 mil cópias. Quanto às Bíblias, neste período, foi lançada a Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Ela alcançou uma popularidade enorme em nosso país e segue sendo a tradução que mais cresce em termos de distribuição. Em Bíblias de estudo, a Bíblia de Estudo Almeida e a Bíblia de Estudo NTLH continuam sendo textos com enorme aceitação. Em Bíblias temáticas, nada supera a Bíblia da Mulher. Também vejo com grande alegria o crescimento das publicações digitais. Algumas delas, de valor excepcional, como a Bíblia Glow e as Bíblias com número Strong.
       

ASEC: O que acha da diversidade de Bíblias modernas com reflexões e opiniões de pastores e celebridades evangélicas?

Rev. Erní: Vejo com alegria o surgimento de Bíblias de Estudo. É sinal que as pessoas continuam estudando a Bíblia. Sempre é bom fazer distinção entre o texto bíblico e as notas e comentários. As notas e comentários visam ajudar a compreensão do texto bíblico. Mas o texto bíblico continua sendo soberano. O tempo vai dizer quais dessas novas Bíblias de Estudo vão permanecer e quais não irão ser mais publicadas. Isso é assim com todos os livros. Mas, sempre que uma Bíblia de Estudo é publicada, ela provoca o estudo do texto bíblico e isso sempre é positivo.


ASEC: Nesses 40 anos como o senhor vê o crescimento dos evangélicos no Brasil? Eles entendem a Bíblia que leem?

Rev. Erní: É difícil falar sobre o crescimento dos evangélicos e até mesmo sobre os evangélicos. Há diferentes maneiras de ser evangélico e diferentes compreensões sobre o tema. De qualquer maneira, o crescimento das igrejas evangélicas nestes 40 anos é impressionante. Eu diria até que é surpreendente. Na década de 1960, na teologia, falava-se da morte de Deus. Lembro que quando estava na Faculdade de Filosofia, no começo dos anos 1970, ser cristão era visto pela maioria como algo ultrapassado. Em muitas Igrejas falava-se do declínio do cristianismo no mundo. Por isso, ver hoje o vigor do movimento evangélico no Brasil é algo surpreendente.
Sobre a compreensão que a igreja evangélica tem da Biblia, há diferentes situações. Se olhamos para as epístolas, no Novo Testamento, percebemos que eram cartas escritas para igrejas jovens. Elas tinham problemas e realidades diferentes. A compreensão da fé cristã que tinham também ressaltava alguns aspectos e era fraca em outros. O mesmo se passa na igreja evangélica no Brasil. Mas o movimento vai crescendo e amadurecendo. Com isso, a compreensão da Bíblia também fica mais ampla e profunda.


ASEC: Como surgiu o Museu da Bíblia? De quem foi a ideia?

Rev. Erní: A ideia do Museu é antiga dentro da SBB. Ela já existia na década de 1960. Havia até o embrião de um Museu da Bíblia (não com este nome) no Rio de Janeiro. Mas nunca chegou a ser realidade. No início dos anos 1990, o Rev. Luiz Antonio Giraldi apresentou a ideia ao então prefeito de Barueri (SP). Aí a ideia criou forma. O trabalho foi desenvolvido em conjunto, entre a SBB e a Prefeitura de Barueri. A SBB cuidou do Museu e a Prefeitura providenciou a infraestrutura. Foi um trabalho que deu certo.


ASEC: Como foi feito o acervo desse museu?

Rev. Erní: Havia algum acervo de Bíblias acumulado desde os anos 1960. Mas, quando começamos o Museu, a ideia não era que fosse baseado em acervo. Há museus modernos que apenas contam a história, sem ter como base, necessariamente, o acervo. Este é o caso do Museu da Bíblia. De qualquer forma, hoje já temos um acervo expressivo, recebido principalmente por doações.


ASEC: A Bíblia é o livro mais lido e traduzido de toda a história. Acha que algum livro um dia pode superar a Bíblia?

Rev. Erní: Não creio que outro livro vá superar a Bíblia. Ela é única na história da humanidade.


ASEC: Em toda essa caminhada, pode lembrar dos seus melhores momentos e dos piores?

Rev. Erní : A gente tende a lembrar os bons momentos e esquecer os maus. Mas aprendemos muito nos maus momentos. Aprendi muito para a vida em hospitais, presídios, asilos, orfanatos. Aprendi muito em visitas a casas humildes. Errei muitas vezes, infelizmente. Aprendi que o mais importante é confiar na graça de Deus em Cristo Jesus.


ASEC: Família, ministério e trabalho: como fez para administrar tudo isso?

Rev. Erní: Conciliar as diferentes responsabilidades faz parte da vida. Ter uma família amorosa e compreensiva é muito importante. Não vejo estas atuações como conflitantes ou buscando prioridade. Ter uma boa família e dar atenção a ela é fundamental para um bom ministério e para o trabalho em geral. Por outro lado, se conseguimos, pela atuação no ministério, trabalhar para ter pessoas melhores e uma sociedade melhor, isso é bom para a nossa família. Tudo está interligado.


ASEC: Se pudesse voltar no tempo, faria tudo novamente da mesma forma ou mudaria alguma coisa?

Rev. Erní: É claro que tentaria fazer melhor do que fiz. Não faria tudo igual. Mas dedicar-me ao ministério, isso, com a graça de Deus, faria novamente.


ASEC: Acha que será mais cobrado por Deus por trabalhar tanto tempo com um livro tão sagrado como a Bíblia?

Rev. Erní: Em Deus há dois aspectos. De um lado, devemos fazer a sua vontade. Ele nos cobra e nunca fazemos tudo o que poderíamos. Merecemos ser condenados. Por outro lado, em Cristo, Ele nos perdoa e convida graciosamente a sempre de novo voltarmos a andar nos seus caminhos. Trabalhar com a Bíblia é uma grande responsabilidade. Mas também é um grande privilégio. Somos lembrados diariamente da vontade e do amor de Deus. Mas, de forma alguma, é uma posição em que estamos mais ou menos debaixo da cobrança de Deus.


ASEC: Como o senhor analisa a literatura cristã brasileira moderna?
Rev. Erní: A literatura cristã no Brasil está tendo um grande desenvolvimento. Não vivemos mais apenas de traduções. Temos grandes autores nacionais e grandes editoras. É um trabalho maravilhoso feito nesta área.


ASEC: O que acha da Bíblia digital? Modernidade pode afetar o teor espiritual?

Rev. Erní: As Bíblias digitais ajudam muito em vários aspectos. Por meio delas chegamos a lugares onde é impossível atingir de outra maneira. Hoje há Bíblias sendo baixadas em celulares em países onde a Bíblia impressa não consegue entrar. Além disso, a Bíblia em formato digital é excelente ferramenta de estudo. O que muda é o relacionamento com o meio que traz a Bíblia até você. Na história da humanidade, a Bíblia em formato de livros é recente. A imprensa de Gutenberg só apareceu por volta do ano 1500. Até ali, o conhecimento bíblico era transmitido, na maioria das vezes, de forma oral. Pode-se dizer que o contato que as pessoas tinham com a Bíblia era o áudio. Por aí já se vê que não há, necessariamente, nada negativo nesta nova tecnologia de difundir a Palavra de Deus.


ASEC: Que mensagem resumiria todos esses anos de ministério?

Rev. Erní: Eu sou grato a Deus por, nestes 40 anos, ter tido tantas e tão diferentes experiências no ministério pastoral. Tive a oportunidade de servir na Igreja como pastor, professor, comunicador e servo. Deus foi muito bondoso comigo e com minha família. Sou grato a Ele.

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