8 de mar de 2014

NO MÊS EM QUE SE COMEMORA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER DIRETORA DE COMUNICAÇÃO DA III FLIC SALÃO GOSPEL FALA SOBRE SUA EXPERIÊNCIA NO SETOR



1)    São quase 20 anos de profissão. Como começou essa história?

Sim, lá se vão quase 20 anos de muito trabalho, dedicação, de muita luta, de muito joelho no chão, de muitas decepções, mas também de muitas boas surpresas e vitórias que culminaram em finais surpreendentes... Eu comecei numa época bem diferente dos dias atuais, existiam bons veículos de imprensa cristã, que hoje não existem mais e deixaram saudade... Então, certa vez, eu recém-formada, depois de trabalhar quase 3 anos num grande jornal secular, pensei: "porque não poderia exercer minha profissão no meio cristão, já que eu era cristã e amava as coisas sobre Deus?". Então, quando tive a oportunidade, agarrei com unhas e dentes e nunca mais saí. Tive verdadeiros amigos com quem aprendi muito, não posso esquecer do jornalista Carlos Fernandes, que na época era editor da Revista Eclésia, ele me deu oportunidade de sugerir uma pauta e trabalhar nela. Sempre muito sincero, falou: "olha, faz a matéria, busca as fontes e manda o texto pronto, se eu gostar publico a matéria e você pode continuar na turma da redação, se não gostar te pago da mesma forma e continuamos amigos". Batalhei muito naquela matéria e mandei o texto, algumas semanas depois ele me ligou dizendo: "Bem-vinda a Revista Eclésia, sua matéria foi escolhida para ser a capa dessa edição!". Me lembro que fiquei muito feliz naquele dia que jamais saiu da minha memória...


2)    Você veio de uma família evangélica? Quando e como se converteu?
Sim. Sou bisneta, neta, sobrinha, filha e esposa de pastor (risos). Bom, aceitei Jesus na minha vida quando eu era bem pequena. Nossa família toda era de Igreja Batista, meu avô era missionário americano, o nome dele era Leon Charles Galgoul e nós freqüentávamos a Igreja Batista Memorial, na cidade do Rio de Janeiro. Estudei minha vida inteira no Colégio Batista Shepard. Mas, um belo dia, meu Pai chegou para mim e falou a respeito de intimidade com Deus. E que eu precisava conhecer isso na minha vida! Ele não poderia ser mais o Deus íntimo do Vovô, do Papai, mas tinha que ser o meu melhor amigo e nesse dia minha vida mudou de vez, passei a compartilhar todos os momentos com ele...

3)    Pode fazer uma  reflexão a respeito desses 20 anos de trabalho no segmento evangélico?
Acho que foram anos difíceis devido a muitos tabus que existiam dentro das igrejas e preconceitos, porém, de uma criatividade maravilhosa! Só tenho motivos para agradecer a Deus por ter feito parte de uma geração escolhida que ficou para a história! Como meu amigo DJ Alpiste fala, "preparamos a massa! Para que hoje essa geração que pretende se estabelecer pudesse comer o bolo!" (risos).

4)    É jornalista, cineasta e está à frente da comunicação de uma tradicional associação de Editores Cristãos e de uma grande feira, que hoje representa o segmento cristão perante a sociedade. É muita responsabilidade? O que pode falar sobre o seu trabalho?
Sim, é muita responsabilidade dada por Deus. Mas ele nos dá talento, nos prepara e nos capacita. Como fala a palavra, quando nos sentimos fracos é que somos fortes! E nos cobra também quando pensamos em desistir! Sobre o meu trabalho, assessoria de imprensa, posso dizer que não é para qualquer pessoa e sim para aqueles que estão preparados para pisar no terreno do relacionamento com os veículos de mídia. É tarefa para quem está disposto a desarmar minas terrestres todos os dias. Todo cuidado é pouco.


5)    Como concilia tantas responsabilidades e ainda as tarefas de ser esposa e mãe?

Bom, em relação ao meu casamento não sofro tanto, porque trabalho com o meu marido. Somos a M (Mazza) R (Rebello) e 1 (Jesus em 1º Lugar). Sempre eu sou a comunicação e ele o marketing. Mas em relação aos filhos, sempre tomamos muito cuidado, afinal, significam o amor de Deus por nossas vidas! Eles precisam da nossa atenção e o tempo passa tão rápido... Mas, eles entendem e mesmo nessa correria somos muito felizes!

6)    É verdade que foi uma mãe de UTI? Pode nos contar resumidamente esse período da sua vida?
 
Sim, minha filha Chaya foi prematura e tinha apneia da prematuridade, ela esquecia de respirar e precisava ser reanimada, ficamos 28 dias com ela na UTI, entre a vida e a morte! Mas Deus entregou nossa filha nos nossos braços perfeita! É um milagre que todo dia me olha e diz: "Mamãe, eu te amo!". Chaya, que significa VIDA é um presente de Deus. É uma guerreira, uma pequena grande mulher (risos)!

7)    Como você vê a comunicação que é feita hoje dentro do mercado evangélico?

Acho que precisa melhorar muito, acompanhar o crescimento do setor com qualidade e se tornar mais  profissional. Vejo tanta gente mal orientada por seus “assessores” com "c"... que escreve "release" com "z"... O que mais vejo hoje são pessoas abrindo agências de comunicação, sem ao menos dominar o que vão fazer e aí todo mundo já conhece o desfecho da história... Prejuízo à vista!
  
8)    No  portfólio da MR1 tem diversas publicações de vários cantores, empresas e eventos em  jornais e revistas conceituados de circulação nacional. Qual o segredo para “bombar” um cliente na mídia?
São vários os segredos... Primeiro, conhecer bem o peixe que você vende para os outros, depois, ter olhos de águia para identificar as boas oportunidades e onde dá para criar o que até então não existe, ser bem relacionado com as redações e manter boas fontes.

9)    Pelo fato de ser mulher já se sentiu alguma vez discriminada em seu ambiente de trabalho ou nos meios mais tradicionais cristãos?
Nunca! Sempre fui respeitada pelos meus clientes e pelo meio onde trabalho! E hoje muitos deles são meus amigos pessoais!
 
 10)   Como vê a emancipação das mulheres? E como na sua opinião será a figura feminina no futuro?
 
Vejo por um lado como algo muito bom, hoje temos uma mulher na presidência da república, temos mulheres no senado, temos mulheres na polícia, no exército, temos mulheres pastoras dentro das igrejas mais tradicionais brasileiras e isso é muito bom! Somos capazes de fazer a diferença no nosso país! Nós lutamos, votamos, lideramos e conseguimos chegar em posições jamais imaginadas no passado por homem nenhum. Porém, nessa corrida creio que houveram perdas de alguns valores fundamentais que a figura feminina do futuro vai precisar resgatá-los para ser feliz!

11)   Você é mãe também de uma menina. O que diria para ela nessa semana em relação aos desafios que terá como mulher no futuro?

Diria para ser forte e corajosa, para não desanimar diante dos desafios e sempre se posicionar. Diria para praticar a intimidade com Deus e guardar o coração para a pessoa certa. Diria para ir atrás dos seus sonhos e sonhar os mesmos sonhos de Deus.

12)   Se pudesse voltar no tempo mudaria alguma coisa?

Acho que faria tudo de novo, porém seria mais intensa e firme em cada momento... Não precisamos ter medo de fazer a diferença, isso é o que Deus espera de cada um dos seus filhos!

  Luciana Mazza tem mais de 18 anos de trabalho dentro do segmento cristão. É jornalista e cineasta. Casada como o jornalista e publicitário Marcelo Rebello e mãe de Yeshua e Chaya. A frente do   Grupo MR1 também é  Diretora de Comunicação da III FLIC SALÃO GOSPEL e responsável pela comunicação da Associação dos Editores Cristãos (ASEC).
Foto: Adilson Santos

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